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27/01/2011 - 23h13m

NÃO É MAIS NATAL!

Há pouco tempo era Natal, a solidariedade e a fraternidade eram as palavras repetidas e a meta de todos os compromissos assumidos. O Natal é, talvez, a festa mais importante para os cristãos, pelo seu significado, o momento em que o verbo se fez carne e Jesus veio ao mundo para nos salvar e anunciar a boa nova.

Há pouco tempo era Natal, a solidariedade e a fraternidade eram as palavras repetidas e a meta de todos os compromissos assumidos. O Natal é, talvez, a festa mais importante para os cristãos, pelo seu significado, o momento em que o verbo se fez carne e Jesus veio ao mundo para nos salvar e anunciar a boa nova.

A construção de um mundo melhor passa necessariamente por uma mudança do ser humano, pela valorização de princípios como fraternidade e solidariedade, que ultrapassam a normatividade de um Estado de Direito, princípios que o Direito não registra porque o antecede.

Os valores como ética, lealdade, honestidade precisam ser resgatados com urgência porque a nossa sociedade está fadada ao fracasso, não porque o sistema capitalista demonstra a sua incapacidade de atender aos anseios de todos, mas porque nenhum sistema se firmará com um ser humano corrompido  e egoísta.

Assiste-se com profunda tristeza os acontecimentos no Rio de Janeiro e em São Paulo e, nestes momentos, como aconteceu aqui em Alagoas, não faltam corações abertos, demonstrações inequívocas de solidariedade. Entretanto, lamentavelmente,  constatamos estarrecidos a ausência de planejamento do Poder Público e com muita dor vemos os desvios a céu aberto e os oportunistas de plantão que estão sempre prontos a tirar proveito da miséria humana.

No tempo em que o Brasil chora pelo sofrimento dos nossos irmãos do Sudeste, e de mãos dadas demonstra todo tipo de solidariedade, fecha-se os olhos para os  irmãos “sem terra”, que são despejados como água das terras que cultivaram por anos a fio, criaram animais e enraizaram vidas, em nome de Justiça. Que Justiça é essa? Aprendi, desde cedo nos bancos da faculdade que a Justiça é cega, mas por muitas vezes, desconfia-se que seja caolha.

Em nome da legalidade, se coloca na marginalidade irmãos, se engrossa a fileira de desabrigados, analfabetos e doentes. Este é um trabalho incansável do Estado para a manutenção dos nossos “altos índices” de IDH, mas poucos preocupam-se com isso, afinal não é mais Natal.

Não se faz mais necessário lembrar o mandamento “Amai ao próximo como a ti mesmo”, não há que se cumprir o primeiro artigo da Lei Maior, o compromisso com cidadania, dignidade da pessoa humana são normas sem eficácia, feitas para não serem cumpridas. Letra morta na Constituição! Legalidade é a interpretação literal de cada dispositivo e nada mais importa, ainda que estejamos construindo um mundo de miseráveis e colocando o nosso tijolinho de cada dia para o aumento da criminalidade, contanto que nos sobre dinheiro para comprarmos as nossas grades.

 

Autora: Claudia Amaral

*É Procuradora de Estado, Vice-Presidente do Conselho de Segurança do Estado de Alagoas e Coordenadora do Curso de Direito da SEUNE.

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