Estado de Alagoas

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» Página Inicial Sala de Imprensa Artigos A frieza dos números
05/08/2010 - 13h35m

A frieza dos números

Mais uma vez o Estado de Alagoas é apontado como o mais violento do Brasil. Segundo uma pesquisa publicada recentemente, em 10 anos a terra dos marechais passou do 11º para o 1º lugar em número de mortes por causas violentas. Em 1997 foram 24,1 homicídios por 100 mil habitantes; em 2007, esse número passou para 59,6. Alagoas estaria, portanto, no topo do ranking da violência no Brasil, seguido pelos Estados do Espírito Santo e de Pernambuco, com 53,6 e 53,1 mortes por 100 mil habitantes, respectivamente.

                 Mais uma vez o Estado de Alagoas é apontado como o mais violento do Brasil. Segundo uma pesquisa publicada recentemente, em 10 anos a terra dos marechais passou do 11º para o 1º lugar em número de mortes por causas violentas. Em 1997 foram 24,1 homicídios por 100 mil habitantes; em 2007, esse número passou para 59,6. Alagoas estaria, portanto, no topo do ranking da violência no Brasil, seguido pelos Estados do Espírito Santo e de Pernambuco, com 53,6 e 53,1 mortes por 100 mil habitantes, respectivamente.

                Sem entrar no mérito da fidedignidade dos dados apontados, nem do tratamento adequado das cifras coletadas, o que me chama atenção é o efeito desses números sobre as pessoas, já que afirmar que somos o estado mais violento, apenas com base nos números, não humaniza o contexto da questão.

                Alagoas tem uma média de 2 mil mortes violentas por ano. Essas cifras já fazem parte do cotidiano das pessoas. Em que pese o espanto com o 1º lugar, parece não haver mais sensibilidade para se lamentar as mortes dessas vítimas, em sua maioria homens jovens da periferia, envolvidos com o tráfico de drogas.

A sensação de insegurança instaurada pela divulgação dos números parece se espalhar pelas classes mais abastadas, que ignoram o cotidiano difícil daqueles que vivem nas periferias alagoanas, espaços onde essas mortes realmente ocorrem todos os dias. Roubos de carro, assaltos a restaurantes frequentados pelas classes média e alta e outros delitos típicos dos grandes centros urbanos também compõem o termômetro da violência, mas não estão inseridos naquelas cifras que nos apontam como a unidade mais violenta da Federação. Ali a centralidade são as mortes violentas, ou seja, vidas perdidas.

Transformar vidas humanas em números tem um duplo efeito: de um lado gera uma atmosfera de pânico; do outro torna abstrata a perda de vidas concretas. Não se pode reduzir vidas humanas a números, sobretudo quando se procura intervir na dinâmica dos espaços violentos através do uso da força. Os números são referências que sinalizam a dimensão do problema e, por isso, têm um papel fundamental no diagnóstico da situação existente, mas se ficamos apenas na frieza dos números, passamos ao largo das causas da violência. Por isso, o maior desafio, diante desses números, é planejar intervenções adequadas, que não sejam pautadas apenas na redução drástica dos percentuais. Afinal, reduzir os números nem sempre significa acabar com o problema.

Autora: Elaine Pimentel

Professora da UFAL e membro do Conselho Estadual de Segurança Pública.

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